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UGANDA VENCENDO A BATALHA CONTRA A AIDS-USANDO A ABSTINÊNCIA

março 21, 2009 1 comentário

Por Daniel Pinheiro

O Papa Bento XVI encontra-se em viagem à África. Hoje ele está em Camarões. Durante o vôo, Sua Santidade respondeu a perguntas de jornalistas sobre vários assuntos. Entre eles, a questão da AIDS. Corretamente, o Papa lembrou que a solução para o problema da AIDS não está na distribuição de preservativos (camisinhas), mas na promoção de uma cultura de castidade – abstinência antes, e fidelidade durante o casamento. Como era de se prever, alguns personagens da cena política internacional estão dizendo que o Papa está “se tornando um problema”, ou que “está sozinho”. Nada mais irreal. Quem está certo é o Papa, é a Igreja. Na verdade, em muitos países africanos onde houve uma distribuição maciça de preservativos, o nível de infecção do HIV, ao contrário do esperado, só aumentou. Veja o artigo abaixo, sobre o caso de Uganda, um país africano que decidiu investir na promoção de uma cultura de castidade, e viu seus índices de infecção despencarem em uma década.

Uganda vencendo a batalha contra a AIDS – usando a abstinência

Por Sarah Trafford/ Tradução de Daniel Pinheiro

Uganda pode estar a caminho de vencer a AIDS usando os valores bíblicos da castidade e da fidelidade, é o que mostra um estudo da Universidade de Harvard. De acordo com o estudo, a educação para a abstinência mostrou efeitos significativos na redução da AIDS no país, com o nível de infecção por HIV caindo 50% entre os anos de 1992 e 2000.

A nação do leste africano está causando um grande impacto com a revelação de que a epidemia de AIDS pode ser revertida. Assolada por infecções de AIDS desde os anos 70, Uganda alcançou um miraculoso sucesso através de uma estratégia de prevenção que faz uso da abstinência. A promoção da abstinência através da mídia, programas de rádio e educação sexual nas escolas resultou em uma queda gradual e contínua dos níveis de infectados com HIV.

“Uganda é um dos países que atribuem grande importância à promoção da abstinência entre jovens” disse Ahmed Ssenyomo, ministro conselheiro da Embaixada de Uganda, em um discurso para a Conferência Africana para os Jovens, sobre abstinência.

Quando o programa começou, no final dos anos 80, o número de mulheres grávidas infectadas com o HIV era de 21,2%. Em 2001, o número era de 6,2%. O estudo da Universidade de Harvard também mostrou que os adultos estão diminuindo as relações de risco: entre as mulheres com mais de 15 anos, as que reportaram possuir muitos parceiros sexuais caiu de 18,4% em 1989 para 2,5% em 2000.

Essa ênfase em abstinência no programa governamental de Uganda é única. Em outras nações com alto grau de infecção em AIDS, tais como Zimbábue e Botswana, os preservativos (camisinhas) têm sido promovidos como a solução para a crise de infecções. Em Botswana, 38% das mulheres grávidas eram soropositivas no ano passado, contrastando com apenas 6,2% das mulheres em Uganda.

Muitos responsáveis por programas de combate à AIDS rejeitam a abstinência como potencial estratégia de prevenção, apesar de todas as evidências de que a promoção da abstinência e da fidelidade reduziram os casos de AIDS em Uganda na última década.

“Milhões e milhões de jovens estão tendo relações sexuais”, disse Paulo Teixeira, diretor do programa de combate à AIDS do Brasil, na 14ª Conferência Internacional de AIDS. “Não podemos falar sobre abstinência. Não é real”.

A abstinência é geralmente negligenciada enquanto potencial método de prevenção. Há muito tempo se pensa que a promoção dos preservativos e de iniciativas de “sexo seguro” seria a resposta para a escalada da AIDS. Ao invés de encorajar as pessoas a controlar seus impulsos, essas iniciativas tentaram oferecer maneiras mais “seguras” de exercitar sua libido. Entretanto, em muitos países africanos os preservativos não são vistos com simpatia. Há uma variedade de lendas urbanas que circulam em algumas regiões, dizendo que os preservativos seriam ferramentas de “limpeza étnica”, ou que na verdade eles é que transmitem o vírus HIV (Durante a Guerra Fria, a KGB soviética espalhou a “desinformação” de que os estados Unidos teriam “criado” o vírus da AIDS para matar os africanos).

A iniciativa da abstinência em Uganda vai muito além daqueles que já estão mantendo relações sexuais – ela começa com a educação e a promoção de um programa de abstinência para jovens chamado “True Love Waits” (O verdadeiro amor espera). Trinta mil jovens ugandenses estão atualmente envolvidos no programa. Lançada em Uganda em 1994, True Love Waits foca na abstinência até o casamento como maneira de prevenir todas as consequências adversas associadas com as atividades sexuais extra-maritais.

“Incentivar o casamento, a monogamia e a abstinência, atrasando o início da atividade sexual, desencorajando a promiscuidade e o sexo casual, reduzindo o fornecimento e a demanda de drogas ilegais ou oferecendo tratamento para viciados em droga… essas são as abordagens absolutamente mais efetivas para reduzir o risco do HIV” disseram o deputado republicano Mark Souder, de Indiana, e seis outros membros do Comitê Americano da Reforma Governamental, em uma carta às Nações Unidas.

Os Estados Unidos e outros países começaram a acolher a promoção da abstinência como modo de prevenção contra a AIDS. As Nações Unidas recentemente divulgaram que a AIDS exterminará metade da população em alguns países africanos. Em Uganda, o sol está começando a brilhar por entre as nuvens das mortes por AIDS – e está brilhando cada vez mais forte.
__________________________

Sarah Trafford. “Uganda Winning the Battle Against AIDS – Using Abstinence.” Culture and Family Institute (July, 2002).
Este artigo foi reproduzido de “Culture and Family Institute”. Culture and Family Institute é afiliado de “Concerned Women for America” E-mail: mail@cultureandfamily.org

A autora
Sarah Trafford trabalha no “Culture & Family Institute”; é formada em Ciências Políticas pela Universidade de Wooster, Ohio, EUA.
Copyright © 2002 Culture and Family Institute

Disponível em inglês no site Catholic Education Resource Center

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Campanha da Fraternidade e Quaresma

março 20, 2009 Deixe um comentário
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A LIBERDADE: Papa Bento XVI

março 16, 2009 Deixe um comentário

Palácio Apostólico – Diário Vaticano de Paulo Rodari Home

Lectio mirabilis de Bento XVI : A liberdade explicada aos futuros Padres e à Igreja

23 de Fevereirode 2009 – Pensamenos esparsos

Sexta Feira à tarde, Bento XVI foi visitar o Seminário Maior Romano, na vigília da Festa de Nossa Senhora da Confiança. Aí, ele desenvolveu uma lição memorável. Ele explicou aos seminaristas que é a liberdade, o sonho de todos os tempos realizado porém plenamente somente em Cristo. Porque a liberdade não realiza a si mesma simplesmente no fazer aquilo que nos parece e nos agrada quanto no abrir-se à relação-dependência com Deus Criador e à relação com as criaturas. Somente uma liberdade semelhante permite ao homem realizar-se a si mesmo. Conjuntamente também o permite à Igreja, a qual, em vez “de inserir-se na comunhão com Cristo, no Corpo de Cristo que é a Igreja” freqüentemente é formada de pessoas que, “com arrogância intelectual”, querem fazer crer que são melhores que as outras: “E assim – disse o Papa – nascem as polêmicas que são destrutivas, nasce uma caricatura da Igreja, que deveria ser uma alma só e um só coração”.

Eis o texto integral da lição do Papa:

DISCURSO DO SANTO PADRE

Senhor Cardeal, caros amigos,

Para mim, é sempre uma grande alegria estar no meu Seminário, ver os futuros sacerdotes da minha diocese, estar convosco no signo de Nossa Senhora da Confiança. Com Ela, que nos ajuda e nos acompanha, nos dá realmente a certeza de ser sempre ajudados pela graça divina, vamos avante!

Queremos ver agora o que nos diz São Paulo com este texto: “Fostes chamados à liberdade”. A liberdade em todos os tempos foi o grande sonho da humanidade, desde os princípios, mas particularmente na época moderna. Sabemos que Lutero inspirou-se neste texto da Epístola aos Gálatas e a conclusão foi que a Regra monástica, a hierarquia, o magistério lhe apareceram como um julgo de escravidão do qual era preciso se libertar. Sucessivamente, o período do Iluminismo foi totalmente guiado, penetrado por este desejo de liberdade, que se julgava ter finalmente alcançado. Mas também o marxismo se apresentou como estrada em direção à liberdade.

Perguntamo-nos, esta noite: que é a liberdade? Como podemos ser livres? São Paulo nos ajuda a compreender esta realidade complexa que é a liberdade inserindo este conceito em um contexto de visões antropológicas e teológicas fundamentais. Diz: “Esta liberdade não se torne um pretexto para viver segundo a carne, mas mediante a caridade permanecei ao serviço uns dos outros”.

O Reitor já nos disse que “carne” não é o corpo, mas– na linguagem de São Paulo – “carne” é expressão da absolutização do eu, do eu que quer ser tudo e pegar tudo para si. O eu absoluto, que não depende de nada e de ninguém, parece possuir realmente, em definitivo, a liberdade. Sou livre se não dependo de ninguém, se posso fazer tudo o que quero. Mas exatamente esta absolutização do eu é “carne”, isto é a degradação do homem, não é conquista da liberdade: o libertinismo não é liberdade, é antes a falência da liberdade.

E Paulo ousa propor um paradoxo forte: “Mediante a caridade, estais a serviço” (em grego: douléuete); isto é a liberdade se realiza paradoxalmente no servir; nós nos tornamos livres, se nos tornamos servos uns dos outros. E assim Paulo coloca todo o problema da liberdade na luz da verdade do homem. Reduzir-se à carne, aparentemente elevando-se ao nível da divindade – “Somente eu sou o homem” – introduz na mentira. Porque na realidade não é assim: o homem não é um absoluto, quase como se o eu pudesse isolar-se e comportar-se somente conforme a própria vontade. É contra a verdade de nosso ser. A nossa verdade é que, antes de tudo, somos criaturas, criaturas de Deus e vivemos na relação com o Criador. Somos seres relacionais. E somente aceitando esta nossa relacionalidade entramos na verdade, de outro modo caímos na mentira e nela, ao fim, nos destruímos.

Somos criaturas, portanto dependentes do Criador. No período do Iluminismo, sobretudo ao ateísmo isto aparecia como uma dependência da qual era necessário libertar-se. Na realidade, porém, dependência fatal seria somente se este Deus Criador fosse um tirano, não um Ser bom, somente se fosse como são os tiranos humanos. Se, em vez disso, este Criador nos ama e a nossa dependência é estar no espaço do seu amor, justamente nese caso a dependência é liberdade. Deste modo, estamos de fato na caridade do Criador, estamos unidos a Ele, a toda a sua realidade, a todo o seu poder. Portanto, este é o primeiro ponto: ser criatura quer dizer ser amados pelo Criador, estar nessa relação de amor que Ele nos dá, com a qual nos precave. Disso deriva antes de tudo a nossa verdade, que é, ao mesmo tempo, chamado à caridade.

E por isso ver Deus, orientar-se a Deus, conhecer Deus, conhecer a vontade de Deus, inserir-se na vontade, isto é, no amor de Deus, é entrar sempre mais no espaço da verdade. E este caminho da conhecimento de Deus, da relação de amor com Deus é a aventura extraordinária de nossa vida cristã: porque conhecemos em Cristo o rosto de Deus, o rosto de Deus que nos ama até à Cruz, até ao dom de si mesmo.

Mas a relacionalidade criatural implica também num segundo tipo de relação: estamos em relação com Deus, mas juntamente com isso, como família humana, estamos também em relação um com o outro. Em outras palavras, liberdade humana é, de uma parte, estar na alegria e no espaço amplo do amor de Deus, mas implica também ser uma cosa só com o outro e pelo outro. Não há liberdade contra o outro. Se eu me absolutizo, me torno inimigo do outro, não podemos mais conviver e toda a vida se torna crueldade, se torna fracasso. Somente uma liberdade condividida é uma liberdade humana; só no estar juntos podemos entrar na sinfonia da liberdade.

E, portanto, este é um outro ponto de grande importância: somente aceitando o outro, aceitando também a aparente limitação que deriva para a minha liberdade do respeito pela do outro, somente inserindo-me na rede de dependências que nos faz, finalmente, uma única família, estou em caminho para a libertação comum.

Aqui aparece um elemento muito importante: qual é a medida da participação da liberdade? Vimos que o homem precisa de ordem, de direito, para que possa assim realizar-se a sua liberdade, que é uma liberdade vivida em comum. E como podemos achar esta ordem justa, na qual ninguém seja oprimido, mas cada um possa dar a sua contribuição para formar esta espécie de concêrto das liberdades? Se não há uma verdade comum do homem tal qual aparece na visão de Deus, permanece somente o positivismo, e se tem a impressão de algo imposto de modo também violento. Daí, essa rebelião contra a ordem e o direito como se se tratasse de uma escravidão.

Mas se podemos encontrar a ordem do Criador na nossa natureza, a ordem da verdade que dá a cada um o seu lugar, ordem e direito podem ser exatamente os instrumentos da liberdade contra a escravidão do egoísmo. Servir um ao outro torna-se o instrumento da liberdade e aqui poderemos inserir toda uma filosofia da politica conforme a Doutrina social da Igreja, a qual nos ajuda a achar esta ordem comum que dá a cada um o seu lugar na vida comum da humanidade. A primeira realidade a respeitar, portanto, é a verdade: liberdade contra a verdade não é liberdade. Servir um ao outro cria o espaço comum da liberdade.

E depois Paulo continua dizendo: “A lei encontra a sua plenitude em um só preceito: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Por trás desta afirmação aparece o mistério do Deus encarnado, aparece o mistério de Cristo que na sua vida, na sua morte, na sua ressurreição se torna a lei viva. Logo, as primeiras palavras da nossa Leitura – “Sois chamados à liberdade” – acenam a este mistério. Fomos chamados pelo Evangelho, fomos chamados realmente no Batismo, na participação à morte e à ressurreição de Cristo, e deste modo passamos da “carne”, do egoísmo à comunhão com Cristo. E assim estamos na plenitude da lei.

Vós conheceis provavelmente todos as belas palavras de Santo Agostinho: “Dilige et fac quod vis – Ama e faz aquilo que queres”. Quanto diz Agostinho é a verdade, se tivermos compreendido bem a palavra “amor”. “Ama e faz aquilo que queres”, mas devemos realmente estar penetrados na comunhão com Cristo, termo-nos identificados com a sua morte e ressurreição, estar unidos a Ele na comunhão do seu Corpo. Na participação ao sacramentos, na escuta da Palavra de Deus, realmente a vontade divina, a lei divina entra na nossa vontade, a nossa vontade se identifica com a sua, torna-se uma só vontade e assim somos realmente livres, podemos realmente fazer aquilo que queremos, porque queremos com Cristo, queremos na verdade e com a verdade.

Roguemos, portanto, ao Senhor que nos ajude neste caminho começado com o Batismo, um caminho de identificação com Cristo que se realiza sempre de novo na Eucaristia. Na terceira Oração Eucarística dizemos: “Tornamo-nos em Cristo um só corpo e um só espírito”. É um momento no qual, por meio da Eucaristia e por meio de nossa verdadeira participação no mistério da morte e da ressurreição de Cristo, nos tornamos um só espírito com Ele, estamos nessa identidade da vontade, e assim chegamos realmente à liberdade.
Por trás desta palavra – a lei é cumprida – por trás desta única palavra que se torna realidade na comunhão com Cristo, aparecem por trás do Senhor todas as figuras dos Santos que entraram nessa comunhão com Cristo, nesta unidade do ser, nesta unidade com a sua vontade. Aparece sobretudo Nossa Senhora, na sua humildade, na sua bondade, no seu amor. Nossa Senhora nos dá esta Confiança, nos toma pela mão, nos guia, nos ajuda no caminho do estar unidos à vontade de Deus, como Ela esteve desde o primeiro momento e expressou essa união no seu “Fiat”.

E, finalmente, depois destas belas coisas, ainda uma vez na Epístola há um aceno à situação um pouco triste da comunidade dos Gálatas, quando Paulo diz: “Se vos mordeis e vos devorais mutuamente, vede pelo menos de não vos destruírdes totalmente uns aos outros… Caminhai conforme o Espírito”. Parece-me que nessa comunidade – que não estava mais na via da comunhão com Cristo, mas da lei exterior da “carne” – emerge naturalmente também das polêmicas e Paulo diz: “Vós vos tornais como feras, um morde o outro”. Acena assim às polêmicas que nascem onde a fé degenera em intelectualismo e a humildade é substuída pela arrogância de ser melhores que os outros.

Vemos bem que também hoje ocorrem coisas semelhantes nas quais, em vez de inserir-nos na comunhão com Cristo, no Corpo de Cristo que é a Igreja, cada um quer ser superior ao outro e com arrogância intelectual quer fazer crer que ele seria melhor. E assim nascem as polêmicas que são destrutivas, nasce uma caricatura de Igreja, que deveria ser uma só alma e um só coração.

Neta advertência de São Paulo, devemos hoje também encontrar um motivo de exame de consciência: não pensar sermos superiores ao outro, mas encontrarmo-nos na humildade de Cristo, encontrarmo-nos na humildade de Nossa Senhora, entrar na obediência da fé. Justamente assim abre-se realmente também para nós o grande espaço da verdade e da liberdade no amor.

Enfim, queremos agradecer a Deus porque nos mostrou o seu rosto em Cristo, porque nos deu Nossa Senhora, nos deu os Santos, nos chamou a ser um só corpo, um só espírito com Ele. E roguemos que nos ajude a ser sempre mais inseridos nessa comunhão com a sua vontade, para achar assim, com a liberdade, o amor e a alegria.

PALAVRAS DO SANTO PADRE AO TÉRMINO DA CEIA

Dizem-me que se espera ainda uma palavra minha. Já falei talvez demais, mas quereria exprimir a minha gratidão, a minha alegria de estar convosco. No colóquio agora à mesa aprendi mais da história do Laterano, começando de Costantino, Sisto V, Bento XIV, o Papa Lambertini.

Assim vi todos os problemas da história e sempre novo renascimento da Igreja em Roma. E compreendi que na discontinuidade dos eventos exteriores há a grande continuidade da unidade da Igreja em todos os tempos. E também sobre a composição do Seminário compreendi que é expressão da catolicidade da nossa Igreja. Em todos os continentes somos uma Igreja e temos em comum o futuro. Esperemos somente que cresçam ainda as vocações porque precisamos delas, como disse o Reitor, trabalhadores na vinha do Senhor. Obrigado a vós todos!

[Tradução e destaques: Montfort. Texto original em Italiano do PaoloRadari]

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Marxismo cultural

março 16, 2009 Deixe um comentário

Do marxismo cultural

Olavo de Carvalho
O Globo, 8 de junho de 2002

Segundo o marxismo clássico, os proletários eram inimigos naturais do capitalismo. Lênin acrescentou a isso a idéia de que o imperialismo era fruto da luta capitalista para a conquista de novos mercados. Conclusão inevitável: os proletários eram também inimigos do imperialismo e se recusariam a servi-lo num conflito imperialista generalizado. Mais apegados a seus interesses de classe que aos de seus patrões imperialistas, fugiriam ao recrutamento ou usariam de suas armas para derrubar o capitalismo em vez de lutar contra seus companheiros proletários das nações vizinhas.
Em 1914, esse silogismo parecia a todos os intelectuais marxistas coisa líquida e certa. Qual não foi sua surpresa, portanto, quando o proletariado aderiu à pregação patriótica, alistando-se em massa e lutando bravamente nos campos de batalha pelos “interesses imperialistas”!

O estupor geral encontrou um breve alívio no sucesso bolchevique de 1917, mas logo em seguida veio a se agravar em pânico e depressão quando, em vez de se expandir para os países capitalistas desenvolvidos, como o previam os manuais, a revolução foi sufocada pela hostilidade geral do proletariado.
Diante de fatos de tal magnitude, um cérebro normal pensaria, desde logo, em corrigir a teoria. Talvez os interesses do proletariado não fossem tão antagônicos aos dos capitalistas quanto Marx e Lênin diziam.

Mas um cérebro marxista nunca é normal. O filósofo húngaro Gyorgy Lukacs, por exemplo, achava a coisa mais natural do mundo repartir sua mulher com algum interessado. Pensando com essa cabeça, chegou à conclusão de que quem estava errado não era a teoria: eram os proletários. Esses idiotas não sabiam enxergar seus “interesses reais” e serviam alegremente a seus inimigos. Estavam doidos. Normal era Gyorgy Lukács. Cabia a este, portanto, a alta missão de descobrir quem havia produzido a insanidade proletária. Hábil detetive, logo descobriu o culpado: era a cultura ocidental. A mistura de profetismo judaico-cristão, direito romano e filosofia grega era uma poção infernal fabricada pelos burgueses para iludir os proletários. Levado ao desespero por tão angustiante descoberta, o filósofo exclamou: “Quem nos salvará da cultura ocidental?”

A resposta não demorou a surgir. Felix Weil, outra cabeça notável, achava muito lógico usar o dinheiro que seu pai acumulara no comércio de cereais como um instrumento para destruir, junto com sua própria fortuna doméstica, a de todos os demais burgueses. Com esse dinheiro ele fundou o que veio a se chamar “Escola de Frankfurt”: um “think tank” marxista que, abandonando as ilusões de um levante universal dos proletários, passou a dedicar-se ao único empreendimento viável que restava: destruir a cultura ocidental. Na Itália, o fundador do Partido Comunista, Antônio Gramsci, fôra levado a conclusão semelhante ao ver o operiado trair o internacionalismo revolucionário, aderindo em massa à variante ultranacionalista de socialismo inventada pelo renegado Benito Mussolini. Na verdade os próprios soviéticos já não acreditavam mais em proletariado: Stálin recomendava que os partidos comunistas ocidentais recrutassem, antes de tudo, milionários, intelectuais e celebridades do “show business”. Desmentido pelos fatos, o marxismo iria à forra por meio da auto-inversão: em vez de transformar a condição social para mudar as mentalidades, iria mudar as mentalidades para transformar a condição social. Foi a primeira teoria do mundo que professou demonstrar sua veracidade pela prova do contrário do que dizia.

Os instrumentos para isso foram logo aparecendo. Gramsci descobriu a “revolução cultural”, que reformaria o “senso comum” da humanidade, levando-a a enxergar no martírio dos santos católicos uma sórdida manobra publicitária capitalista, e faria dos intelectuais, em vez dos proletários, a classe revolucionária eleita. Já os homens de Frankfurt, especialmente Horkheimer, Adorno e Marcuse, tiveram a idéia de misturar Freud e Marx, concluindo que a cultura ocidental era uma doença, que todo mundo educado nela sofria de “personalidade autoritária”, que a população ocidental deveria ser reduzida à condição de paciente de hospício e submetida a uma “psicoterapia coletiva”.

Estava portanto inaugurada, depois do marxismo clássico, do marxismo soviético e do marxismo revisionista de Eduard Bernstein (o primeiro tucano), a quarta modalidade de marxismo: o marxismo cultural. Como não falava em revolução proletária nem pregava abertamente nenhuma truculência, a nova escola foi bem aceita nos meios encarregados de defender a cultura ocidental que ela professava destruir.

Expulsos da Alemanha pela concorrência desleal do nazismo, os frankfurtianos encontraram nos EUA a atmosfera de liberdade ideal para a destruição da sociedade que os acolhera. Empenharam-se então em demonstrar que a democracia para a qual fugiram era igualzinha ao fascismo que os pusera em fuga. Denominaram sua filosofia de “teoria crítica” porque se abstinha de propor qualquer remédio para os males do mundo e buscava apenas destruir: destruir a cultura, destruir a confiança entre as pessoas e os grupos, destruir a fé religiosa, destruir a linguagem, destruir a capacidade lógica, espalhar por toda parte uma atmosfera de suspeita, confusão e ódio. Uma vez atingido esse objetivo, alegavam que a suspeita, a confusão e o ódio eram a prova da maldade do capitalismo.

Da França, a escola recebeu a ajuda inestimável do método “desconstrucionista”, um charlatanismo acadêmico que permite impugnar todos os produtos da inteligência humana como truques maldosos com que os machos brancos oprimem mulheres, negros, gays e tutti quanti, incluindo animais domésticos e plantas.
A contribuição local americana foi a invenção da ditadura lingüística do “politicamente correto”.

Em poucas décadas, o marxismo cultural tornou-se a influência predominante nas universidades, na mídia, no show business e nos meios editoriais do Ocidente. Seus dogmas macabros, vindo sem o rótulo de “marxismo”, são imbecilmente aceitos como valores culturais supra-ideológicos pelas classes empresariais e eclesiásticas cuja destruição é o seu único e incontornável objetivo. Dificilmente se encontrará hoje um romance, um filme, uma peça de teatro, um livro didático onde as crenças do marxismo cultural, no mais das vezes não reconhecidas como tais, não estejam presentes com toda a virulência do seu conteúdo calunioso e perverso.

Tão vasta foi a propagação dessa influência, que por toda parte a idéia antiga de tolerância já se converteu na “tolerância libertadora” proposta por Marcuse: “Toda a tolerância para com a esquerda, nenhuma para com a direita”. Aí aqueles que vetam e boicotam a difusão de idéias que os desagradam não sentem estar praticando censura: acham-se primores de tolerância democrática.
Por meio do marxismo cultural, toda a cultura transformou-se numa máquina de guerra contra si mesma, não sobrando espaço para mais nada.

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EXPLICAÇÃO DO FILME O SENHOR DOS ANEIS

março 15, 2009 Deixe um comentário
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O que é a Teologia do Corpo e por quê ela está mudando tantas vidas?

março 13, 2009 Deixe um comentário

Por Christopher West

“É ilusão pensar que podemos construir uma verdadeira cultura de vida humana se não… aceitarmos e vivenciarmos a sexualidade, o amor e a vida como um todo de acordo com seus verdadeiros significados e finalidades.”

João Paulo II, O Evangelho da Vida (n. 97).

A dimensão sexual é a rocha de fundamentação da vida humana. A família — e, por isso, a própria sociedade humana — emerge dessa dimensão. Em resumo, como o sexo flui, fluem o casamento e a família. Como o casamento e a família fluem, flui a civilização.

Esta lógica parece soar bem para a nossa cultura. Não é exagero dizer que a meta do século XX foi libertar-se da ética sexual cristã. Se desejamos edificar uma “cultura da vida”, a meta do século XXI deve ser corrigir isto.

Mas a abordagem freqüentemente repressiva dos cristãos das gerações passadas (normalmente o silêncio ou, no máximo, “não faça isso”) é amplamente responsável pela rejeição cultural aos ensinamentos da Igreja sobre a sexualidade. Precisamos de uma “nova linguagem” para romper o silêncio e reverter a negatividade. Precisamos de uma teologia nova que explique como a ética sexual cristã — longe da puritana lista de proibições na qual supostamente se tornou — corresponde perfeitamente aos anseios mais profundos dos nossos corações por amor e união.

Como muitas pessoas somente agora estão descobrindo, o Papa João Paulo II dedicou a primeiro grande projeto de catequese de seu pontificado ao desenvolvimento de tal teologia; ele a chama de “teologia do corpo”. Esta coleção de 129 pequenas audiências já iniciaram uma “contra-revolução sexual” que está mudando vidas ao redor do mundo. O “fogo” está se alastrando e podemos esperar para breve repercussões globais.

George Weigel, um biógrafo do Papa, disse muito bem ao descrever a teologia do corpo como “um tipo de bomba relógio teológica programada pra explodir com conseqüências dramáticas… talvez no século XXI” (Witness to Hope, 343).

Uma Resposta para Nossas Questões Universais

Focando a beleza do plano divino para a união dos sexos, João Paulo levou a discussão do legalismo (”Até onde eu posso ir sem infringir a lei?”) para a liberdade (”Qual é a verdade que me torna livre para amar?”). A verdade que nos torna livres é a salvação em Jesus Cristo. Não importa quais erros ou quais pecados tenhamos cometido. A teologia do corpo do Papa não aponta o dedo pra ninguém. É uma mensagem de salvação sexual para toda e qualquer pessoa.

Resumindo, através de uma detalhada reflexão das Escrituras, João Paulo procura responder duas das mais importantes e universais questões: (1) “O que significa ser um humano?” e (2) “Como viver minha vida de uma forma que traga verdadeira felicidade e plena satisfação?”. O ensinamento do Papa, portanto, não fala apenas sobre sexo e casamento. Uma vez que nossa criação como masculino e feminino é o “fato fundamental da existência humana” (13/02/1980), a teologia do corpo fornece “o redescobrimento do significado da totalidade da existência, o sentido da vida” (29/10/1980).

Para responder à primeira questão — “O que significa ser um humano?” — o Papa segue o convite de Cristo para meditar sobre os três diferentes “estágios” da experiência humana da sexualidade e do corpo: em nossa origem antes do pecado (cf. Mt 19,3-8); em nossa históriamanchada pelo pecado e já redimida em Cristo (cf. Mt 5,27-28); e em nosso destino, quando Deus erguerá nossos corpos em glória (cf. Mt 22,23-33).

Em resposta à segunda questão — “Como devo viver minha vida?” — João Paulo aplica seu característico “humanismo cristão” para as vocações do celibato e do casamento. Ele então conclui demonstrando como seu estudo propõe uma nova e vitoriosa explicação do ensinamento da Igreja sobre a moral sexual.

Vamos dar uma breve olhada em cada uma das diferentes seções do ensinamento do Papa. É claro que, em uma pequena introdução como esta, estamos apenas arranhando a superfície dos profundos conhecimentos do Papa. Vamos iniciar com sua idéia principal.

Por quê o Corpo é uma “Teologia”?

De acordo com João Paulo II, Deus criou o corpo como um “sinal” de seu divino mistério. Esta é a razão pela qual ele fala do corpo como uma “teologia”, um estudo de Deus.

Nós não podemos ver Deus. Sendo Espírito, Ele é invisível. Entretanto o cristianismo é a religião da auto-revelação de Deus. Em Cristo, “Deus revelou seu mais íntimo segredo: o próprio Deus é uma relação infinita de amor, Pai, Filho e Espírito Santo, e Ele nos destinou a participar desta relação” (C.I.C., §221). Por alguma razão o corpo humano torna este eterno mistério de amor visível para nós.

Como? Especificamente através da beleza da diferença sexual e nossa chamada à união. Deus designou a união dos sexos como a “versão criada” de sua própria “relação infinita de amor”. E justamente desde o início, a união entre homem e mulher prefigura nosso destino eterno de união com Cristo. Como diz São Paulo, a união “em uma só carne” é “um grande mistério, eu quero dizer em referência a Cristo e sua Igreja” (Ef 5,31-32).

A Bíblia usa o amor matrimonial mais do que qualquer outra imagem para nos ajudar a entender o plano infinito de Deus para a humanidade. Deus quer “se casar” conosco (cf. Os 2,19) — para viver conosco em uma “infinita relação de amor”. E ele quis que este grande “plano matrimonial” fosse tão claro e tão óbvio pra nós que ele imprimiu uma imagem de Si mesmo em nosso próprio ser, criando-nos masculino e feminino e convidando-nos à comunhão em “uma só carne”.

Portanto, em um comovente desenvolvimento do pensamento católico, João Paulo conclui que nós espelhamos Deus não somente como indivíduos, “mas também através da comunhão… a qual homem e mulher formam desde o princípio”. E o Papa acrescenta: “de tudo isso, desde ‘o princípio’, descende a graça da fertilidade” (14/11/1979). A vocação original de ser “fecundo e se multiplicar” (Gen 1,28), então, não passa de um convite para viver conforme à imagem daquilo em que fomos feitos — o amor, da forma como Deus ama.

É óbvio que isto não significa que Deus é “sexual”. Nós usamos o amor matrimonial apenas como uma analogia que nos ajuda a compreender um pouco do divino mistério (cf. C.I.C., §370). O “mistério de Deus permanece transcendente em relação a esta analogia como em relação a qualquer outra analogia” (29/09/1982). Ao mesmo tempo, contudo, o Papa diz que “não há nenhuma outra realidade humana que corresponda melhor, humanamente falando, com aquele mistério divino” (30/12/1988).

A Experiência Original do Corpo e do Sexo

Nós tendemos a pensar que a “guerra” entre os sexos é normal. Em sua discussão com os fariseus, Jesus chama atenção para o fato de que “no começo não era assim” (Mt 19,8). Antes do pecado, homem e mulher experimentavam sua união como uma participação no amor infinito de Deus. Este é o modelo pra todos nós, e embora nós o tenhamos perdido, Cristo nos concede a verdadeira capacidade de reconquistá-lo.

A história bíblica da criação usa uma linguagem simbólica para nos auxiliar na compreensão de profundas verdades sobre nós mesmos. Por exemplo, o Papa observa que aquela suaunião original brota da solidão do ser-humano. No princípio o homem estava “só” (cf. Gn 2,18). Dentre os animais, não havia nenhum que “lhe fosse ajuda adequada” (Gn 2,20). Aí está a base desta “solidão” — sentimento comum a homem e mulher — que sentimos nesta ânsia por união.

O ponto é que essa união sexual humana difere radicalmente do acasalamento dos animais. Se fossem iguais, Adão teria encontrado “ajuda” com fartura entre os animais. Mas nomeando os animais ele notou que ele era diferente; somente ele foi uma pessoa chamada a amar à imagem de Deus. Avistando a mulher o homem imediatamente declara: “Agora sim vejo osso dos meus ossos e carne da minha carne” (Gn 2,23). Ele quis dizer, “finalmente, uma pessoa que eu posso amar”.

Como ele sabia que ela também era uma pessoa chamada a amar? Seu corpo nu revelou o mistério! Pela pureza do coração, a nudez revela o que João Paulo II chama de “o sentido nupcial do corpo”. Esta é “a capacidade que o corpo tem de expressar amor: precisamente aquele amor no qual a pessoa se torna dom e — por meio deste dom — realiza o sentido pleno de seu ser e sua existência” (16/01/1980).

Sim, o Papa diz que se vivermos de acordo com a verdade sobre a nossa sexualidade, nós cumprimos o verdadeiro sentido da vida. O que é isso? Jesus o revela quando ele diz, “este é o meu mandamento, que se amem uns aos outros como Eu vos tenho amado” (Jo 15,12). Como Jesus nos ama? “Este é o meu corpo, que é dado por vós” (Lc 22,19). Deus criou o desejo sexual como potência para amar como Ele ama. E esta é a forma como o primeiro casal vivenciou este amor. Por isso, eles “estavam ambos nus, e não se envergonhavam” (Gn 2,25).

Não há vergonha nenhuma no amor; “o amor perfeito lança fora o temor” (1Jo 4,18). Vivendo completamente de acordo com o sentido nupcial de seus corpos, eles viram e sentiram um ao outro “com toda a paz de seu olhar interior, o qual cria a plenitude da intimidade entre as pessoas” (02/01/1980).

A Experiência Histórica do Corpo e do Sexo

O pecado original causou a “morte” do amor divino no coração humano. O surgimento da vergonha indica a origem da concupiscência, do desejo erótico vazio do amor de Deus. Homens e mulheres da história agora tendem a buscar “a sensação da sexualidade” dissociada da verdadeira dádiva de si mesmos, dissociada do autêntico amor.

Nós cobrimos nossos corpos não porque eles sejam maus, mas para proteger seu bem inerente da degradação da concupiscência. Uma vez que sabemos que fomos feitos para o amor, sentimo-nos instintivamente “ameaçados” não somente pelo comportamento abertamente luxurioso, como também por um “olhar luxurioso”.

As palavras de Cristo são severas em relação a isto. Ele insiste que se nós olharmos com luxúria para outros, já teremos cometido adultério em nossos corações (cf. Mt 5,28). João Paulo propõe a questão: “Nós temos temor da severidade dessas palavras? Ou ao contrário, confiamos em seu poder salvífico?” (08/10/1980). Estas palavras tem poder para salvar-nosporque o homem que as revela é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29).

Cristo não morreu e surgiu dos mortos simplesmente para nos dar mecanismos contra o pecado. “Jesus veio restaurar a criação à pureza de suas origens” (C.I.C., §2336). Conforme nos abrimos à obra da redenção, a morte e ressurreição de Cristo efetivamente “liberta nossa liberdade da dominação da concupiscência”, como expressa João Paulo (01/03/1984).

Deste lado do céu, sempre somos capazes de perceber uma batalha em nossos corações entre o amor e a concupiscência. Entretanto, João Paulo insiste que “a redenção do corpo” (cf. Rm 8,23) já está trabalhando nos homens e mulheres da história. Isto significa que deixando nossa concupiscência ser “crucificada com Cristo” (cf. Gal 5,24), podemos progressivamente redescobrir o erotismo daquele “sentido nupcial dos nossos corpos” e vivê-lo. Esta “libertação da concupiscência” e a liberdade que ela concede é, de fato, “a condição de toda vida unida à verdade” (08/10/1980).

A Experiência Máxima do Corpo e do Sexo

Mas e quanto à nossa vivência do corpo na ressurreição? Cristo não disse que nós não nos daremos mais em casamento quando ressurgirmos dos mortos (cf. Mt 22,30)? Sim, mas isto não significa que nosso anseio por união acabará. Significa que ele será plenamente satisfeito. Como um sacramento, o casamento é somente um sinal terreno da realidade celeste. Nós não precisaremos mais de sinais para apontar-nos para o céu quando já estivermos lá no céu. As “núpcias do Cordeiro” (Ap 19,7) — a união de amor que nós todos desejamos — estará eternamente consumada.

“Para o homem, esta consumação será a realização máxima da unidade do gênero humano, querida por Deus desde a criação. (…) Os que estiverem unidos a Cristo formarão a comunidade dos remidos, a ‘cidade santa’ de Deus, ‘a Esposa do Cordeiro’” (C.I.C., §1045). Esta realidade eterna é o que a união “em uma só carne” representa desde o início (cf. Ef 5,31-32).

Portanto, na ressurreição do corpo redescobrimos — em uma dimensão infinita — o mesmo sentido nupcial do corpo no encontro com o mistério da vivência face a face com Deus (09/12/1981). “Esta será uma experiência completamente nova”, diz o Papa — além do que qualquer um de nós poderia imaginar. Além disso, “não será de nenhum modo estranha àquela experiência da qual o homem toma parte ‘desde o princípio’, e nem ao que diz respeito à dimensão procriativa do corpo e do sexo” (13/01/1982).

As Vocações Cristãs

Observando “quem somos nós” em nossa origem, história e destino, abrimos as portas para um adequado entendimento das vocações cristãs do celibato e do casamento. Ambas vocações são autênticas “vivências” da mais profunda verdade sobre quem somos nós enquanto homens e mulheres.

Quando vivido de forma autêntica, o celibato cristão não é uma rejeição da sexualidade e seu chamado à união. Ele na verdade aponta para sua máxima realização. Aqueles que sacrificam o casamento “pela causa do Reino” (Mt 19,12) assim o fazem para dedicar todas as suas energias e desejos ao único casamento que é capaz de satisfazer — o casamento entre Cristo e sua Igreja. De certo modo, eles estão “pulando” o sacramento (o sinal terreno) em antecipação da realidade última. Fazendo isso, homens e mulheres celibatários declaram ao mundo que o Reino de Deus está aqui (cf. Mt 12,28).

De uma forma diferente, o casamento também antecipa o céu. “Nas alegrias de seu amor Deus dá o casamento aqui na terra como um antegozo do festim de núpcias do Cordeiro” (C.I.C., §1642). Por quê, então, tantos casais vivem o casamento como se estivessem “vivendo no inferno”? Para que o casamento possa trazer a felicidade, os esposos precisam vivê-lo como Deus queria “desde o princípio”. Isto significa que eles precisam lutar diligentemente com os efeitos do pecado.

O casamento não justifica a luxúria, a concupiscência. Como sacramento, o casamento destina-se a simbolizar a união entre Cristo e a Igreja (cf. Ef 5,31-32). O corpo possui uma “linguagem” que se destina a expressar o amor livre, total, fiel, e fecundo de Deus. É exatamente com isso que os esposos se comprometem no altar. “Vocês vieram aqui por livre e espontânea vontade”, o padre pergunta, “para darem-se um ao outro sem reservas? Vocês prometem ser fiéis até a morte? Vocês prometem receber com amor os filhos que Deus vos der?”. Noiva e noivo respondem: “Sim”.

Portanto, os esposos são destinados a expressar este mesmo “sim” com seus corpos uma vez que se tornam uma só carne. “Certamente as próprias palavras ‘Eu te recebo como minha esposa – meu marido’”, diz o Papa, “somente podem ser realizadas por meio da relação conjugal” (05/01/1983). A união sexual é destinada a ser a renovação dos votos matrimoniais.

Um Novo Contexto para Entender a Moralidade Sexual

A ética sexual da Igreja começa a fazer sentido quando vistas através desta ótica. Ela não se trata de uma lista puritana de proibições. É um convite a abraçar nossa própria “grandeza”, nosso própria dignidade divina. É um convite a viver o amor para o qual fomos criados.

Sendo um profeta aquele que proclama o amor de Deus, João Paulo II descreve o corpo e a união sexual como “proféticos”. Mas, ele acrescenta, precisamos ser cuidadosos no distinguir entre verdadeiros e falsos profetas. Se podemos dizer a verdade com nossos corpos, também podemos dizer mentiras. No final das contas, todas as questões sobre moral sexual caem em uma única questão: ela espelha, verdadeiramente, a imagem do amor livre,total, fiel e fecundo de Deus ou não?

Em termos práticos, quão saudável seria um casamento se os esposos fossem freqüentemente infiéis aos seus votos matrimoniais? Por outro lado, quão saudável seria um casamento se os esposos regularmente renovassem seus votos, expressando uma sempre crescente concordância com eles? Esta é a base dos ensinamentos da Igreja em matéria de moralidade sexual.

Masturbação, fornicação, adultério, sexo voluntariamente estéril, atos homossexuais, etc. — nada disso espelha esta imagem do amor livre, total, fiel e fecundo de Deus. Nenhum desses comportamentos expressam a renovação dos votos matrimoniais. Eles não são maritais. Isto significa que as pessoas que se comportam assim são “intrinsecamente más”? Não. Eles são apenas pessoas confusas sobre como satisfazer seu genuíno desejo por amor.

Se eu te oferecer um cheque real de um milhão de dólares e um cheque falsificado de um milhão de dólares, qual você iria preferir? Pergunta estúpida, penso eu. Mas e se você fosse educado em uma cultura em que fosse incessantemente bombardeado com propagandas tentando te convencer de que o falsificado fosse o real, e o real fosse o falsificado? Poderia ser que você estivesse um pouco confuso?

A Autêntica Libertação Sexual

Por quê tanta propaganda? Se há um inimigo que deseja nos manter afastados do céu, e se o corpo e o sexo se destinam a apontar-nos para o céu, o que você acha que este inimigo iria atacar? A tática do pecado é “distorcer” e “desorientar” nosso desejo de união eterna. Isso é tudo que ele pode fazer. Quando entendemos isto, percebemos que a confusão sexual tão predominante em nosso mundo e em nossos próprios corações não passam de um desejo humano pelo céu, porém de forma frenética.

Mas a maré está mudando. As pessoas só podem se iludir com os falsificados por um período breve. Eles não somente falham em satisfazer, como nos fadigam terrivelmente. Infelizmente, a verdade dos ensinamentos da Igreja sobre sexo é confirmada nas feridas daqueles que não procuraram vivê-los. Nossas buscas por amor, intimidade e liberdade são positivas. Mas a revolução sexual nos vendeu gato por lebre. Nós não fomos “libertados”. Fomos enganados, traídos e nos tornamos carentes.

É por isso que o mundo é um campo de missão pronto para absorver a teologia do corpo de João Paulo II. E é por isso que ela já está mudando tantas vidas mundo afora. O ensinamento do Papa nos ajuda a distinguir entre o verdadeiro e o falso cheque de um milhão de dólares. Ele nos ajuda a “desentortar” nossos desejos desordenados e nos orienta rumo ao amor que satisfaz verdadeiramente.

Conforme isso acontece, nós entendemos os ensinamentos da Igreja não como um peso imposto “de fora”, mas como uma mensagem de salvação que vem exatamente “de dentro”. Entendemos a verdade que nos liberta. Em outras palavras, experimentamos o que a revolução sexual prometeu mas não pôde cumprir: nos dar a autêntica libertação sexual.

Oração pela Pureza de Coração

Senhor, ajuda-me a aceitar e acolher minha sexualidade como um presente Teu. Concede-me a graça de resistir às muitas mentiras que distorcem o dom divino e ajuda-me a viver minha sexualidade de acordo com o amor que se doa. Concede-me a pureza de coração para que eu possa ver a imagem de sua glória na beleza dos outros, e um dia Te veja face a face. Amém.

Oração pela Redenção do Desejo Sexual

Senhor, eu Te louvo e agradeço pelo dom do meu desejo sexual. Pelo poder de Sua morte e ressurreição, desfaça o emaranhado que o pecado fez em mim de forma que eu possa saber e viver o desejo sexual da forma como o Senhor o criou — como desejo de amar livremente,totalmente, fielmente e fecundamente. Amém.

Oração para Momentos de Tentação da Concupiscência

Senhor, agradeço pela beleza desta pessoa que o Senhor criou pra ser amada, e não pra ser tratada como um objeto para minha própria satisfação sexual. Eu renuncio a qualquer tendência, dentro de mim, de usar esta pessoa para meu próprio prazer, e peço que o Senhor corrija meus desejos. Amém.

Tradução e revisão: Fabrício L. Ribeiro

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Dinheiro público desviado para a causa abortista

março 13, 2009 Deixe um comentário

(enquanto o SUS permanece caótico por falta de recursos)

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz.

Durante quatro meses, de 12 de agosto a 27 de novembro de 2008, a União Nacional dos Estudantes (UNE) percorreu o Brasil visitando 41 universidades e realizando 57 debates. O objetivo fundamental dessa “Caravana Estudantil da Saúde” foi a propaganda do aborto, das drogas e do homossexualismo. Vejamos alguns dos temas tratados: “Legalização do aborto: aspectos legais, morais, políticos sob a ótica da saúde pública”, “Drogas – Legalizar ou não?”, “Saúde e tolerância: homofobia, lesbofobia, sexismo, racismo”, “Direitos sexuais e reprodutivos e a violência de gênero”[1]. O jornal da Caravana da UNE, no artigo “Políticas públicas para a mulher” (p. 3) afirmava ser dever do Estado “legalizar o aborto”. Tudo isso custou R$ 2,8 milhões ao Ministério da Saúde. Essa verba estava prevista no Orçamento para apoio à educação permanente de trabalhadores do SUS (Sistema Único da Saúde), mas foi desviada pelo governo para a UNE[2].

* * *

Em janeiro de 2009, o jornal O Globo anunciou o lançamento do filme “O fim do silêncio”, produzido pela Fiocruz, com R$ 80 mil fornecidos pelo Ministério da Saúde. A diretora do vídeo Thereza Jessouroun afirmou que o documentário é “claramente a favor do aborto”. De fato, como se observa no “trailer”, ele nada mais é do que uma peça publicitária que apresenta várias mulheres confessando que já fizeram aborto. Segundo a reportagem, em fevereiro duas mil cópias em DVD seriam distribuídas para escolas e entidades feministas[3]. Mais uma vez, o dinheiro público é utilizado para incitação ao crime (art. 286, CP) e apologia de crime (art. 287, CP).

Causa abortista recupera financiamento internacional

A partir do dia 23 de janeiro de 2009, os abortistas do Brasil e do mundo passaram a contar com um financiamento extra. Nessa data, o novo presidente Barack Obama revogou a chamada “Política da Cidade do México”, que proibia a concessão de fundos dos EUA para grupos que promovessem o aborto em outros países[4]. No dia seguinte, Obama anunciou que também pretende trabalhar junto ao Congresso para restaurar o apoio financeiro ao Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP)[5]. O presidente Bush havia retirado o apoio ao FNUAP porque esse organismo da ONU promove o aborto em diversas nações.

A IPPF (Federação Internacional de Planejamento Familiar), conhecida como a “multinacional da morte”, comemorou a atitude de Barack Obama. Segundo Gill Greer, diretor geral da IPPF, durante os oito anos da administração Bush, cerca de 100 milhões de dólares deixaram de ser investidos na promoção do aborto em nível internacional[6]. A verba pró-aborto deve reaparecer inclusive para o Brasil, onde a IPPF tem uma filial chamada BEMFAM.

Nilcéa Freire e José Gomes Temporão

No apagar das luzes de 2008, Nilcéa Freire, há cinco anos à frente da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, afirmou: “ano que vem [2009] vamos entrar com muita força lá no Ministério da Saúde na ampliação dos serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência sexual e nos serviços para a realização do abortamento legal”[7]

Na edição de janeiro de 2009 do jornal da CNTS (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde), o Ministro da Saúde José Gomes Temporão aparece cumprimentando uma mãe que abortou seu bebê anencéfalo durante o tempo em que esteve em vigor uma liminar do Ministro Marco Aurélio autorizando tal tipo de aborto[8]. Pena que ele não quis cumprimentar a Sra. Cacilda Galante Ferreira, mãe da anencéfala Marcela de Jesus Ferreira, que tanto comoveu o Brasil durante 1 ano e 8 meses de vida extra-uterina.

Exceção de suspeição ao Ministro Marco Aurélio

A CNTS foi a entidade escolhida pelos abortistas para propor a Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 54 (ADPF 54), que pretende legalizar — sem passar pelo Congresso Nacional — o aborto de anencéfalos. A ação, proposta em 2004, aguarda o julgamento de mérito do plenário do Supremo Tribunal Federal.

No entanto, no dia 10 de dezembro de 2008, onze deputados federais protocolaram junto ao Procurador Geral da República Antônio Fernando de Souza uma representação solicitando o afastamento do Ministro Marco Aurélio do julgamento da ADPF 54. O motivo da suspeição é que o ministro violou a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (art. 36, III) ao manifestar sua opinião sob um processo ainda pendente de julgamento[9]. De fato, em entrevista feita à revista Veja, Marco Aurélio defendeu abertamente o aborto de anencéfalos e previu que a ADPF 54 seria vitoriosa, além de atacar a Igreja Católica dizendo: “e, depois que o Supremo bater o martelo, não adiantará recorrer ao Santo Padre”[10]. Se a exceção de suspeição for proposta e acatada, será necessário sortear um novo relator para o processo.

Partido do governo quer expulsar antiabortistas

No 3º Congresso do Partido dos Trabalhadores (PT), ocorrido entre agosto e setembro de 2007, foi aprovada a resolução “Por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais”, que inclui a “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público”[11].

No 10º Encontro Nacional das Mulheres do PT realizado em Brasília nos dias 17 e 18 de maio de 2008[12], foi aprovada uma resolução propondo a instalação de uma Comissão de Ética para os parlamentares antiabortistas, com “orientação para expulsão daqueles que não acatarem e não respeitarem as resoluções partidárias relativas aos direitos e à autonomia das mulheres”[13].

No dia 11 de novembro de 2008, os deputados Luís Bassuma (PT/BA) e Henrique Afonso (PT/AC) receberam a notificação da Comissão de Ética do Diretório Nacional do Partido.

Uma vez que o PT é explícita e abertamente abortista, os dois deputados acusados de serem pró-vida deveriam espontaneamente abandoná-lo. Não faz sentido para quem defende a vida insistir em permanecer em um partido que defende o aborto.

Analogamente os cristãos, por coerência com as promessas de seu Batismo, não podem filiar-se ao PT nem votar em candidatos desse partido. Convém lembrar-se disso nas próximas eleições presidenciais.

Fonte: http://www.providaanapolis.org.br

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